Quando um vídeo de IA engaja mais do que a realidade, a sociedade precisa rever seus conceitos

2 minutos

Em todo período pré-eleitoral, as pessoas, principalmente os políticos e candidatos, ficam com os ânimos mais aflorados, especialmente nas redes sociais, onde, muitas vezes, tudo o que menos importa viraliza.

Um vídeo criado por Inteligência Artificial (IA) e compartilhado recentemente em perfis do Instagram mostrou um tamanduá gigante destruindo o Monumento aos Garimpeiros, no Centro Cívico de Boa Vista.

Isso, nos dias de hoje, bastou para mobilizar a classe política e algumas centenas de pessoas mais engajadas nas redes sociais, que vivem de likes momentâneos.

E é aí que a gente precisa parar e refletir. Quando um vídeo “fake” gera mais engajamento do que a realidade, a sociedade acaba aprisionada aos extremos, aos discursos de salvadores da pátria e ao calor da emoção, deixando de lado a razão.

Boa Vista mesmo é um exemplo. Hoje, os abrigos de ônibus estão abandonados e sem qualquer manutenção há anos. Os monumentos históricos da capital estão na mesma situação.

O que falar das ruas esburacadas em todos os bairros? O que falar do matagal invadindo as calçadas? Por que esses assuntos não engajam? Por que as pessoas não têm o mesmo ânimo para cobrar de uma gestão — ou da falta dela — que trabalhe de verdade, assim como fazem quando um assunto “fake” aparece na tela do WhatsApp?

O exemplo do tamanduá destruindo o garimpeiro é uma prova da responsabilidade que a imprensa, os influenciadores e os políticos têm na vida das pessoas. É preciso usar essa influência para o bem comum, para trazer as pessoas à realidade, fazê-las pensar, repensar e avaliar discursos e intenções.

Nesta época de eleições em Roraima e no Brasil, a gente sabe o que acontece nos bastidores. O dinheiro, na grande maioria das vezes, fala mais alto. Mas lembre-se: quando o político te paga, ele não te deve mais nada. Não te deve trabalho, não te deve resultado e você, tampouco, terá condições de fazer cobranças.

Por isso, é preciso votar com consciência, votar em quem tem trabalho de verdade, em quem tem compromisso com as pessoas e em quem respeita o bem público. Isso é o mínimo.

Mas o que esperar de uma sociedade que se revolta com um vídeo de IA, mas aceita viver em uma cidade abandonada?

Caíque Silva
Jornalista e bacharel em Direito

Deixe um comentário

Leia também!